terça-feira, 11 de outubro de 2011

Agricultura sustentável requer uso de tecnologia

Modelo exigido ainda não está em harmonia com as condições atuais

Para o Brasil alcançar os altos índices da produção agropecuária que possui atualmente e atender à crescente demanda mundial por alimentos, aumentou os investimentos na aquisição de insumos, principalmente os defensivos agrícolas – sem os quais não seria possível produzir em grande escala. O uso deste insumo e suas implicações, assim como a importância do agronegócio mato-grossense para o Brasil e o mundo, foram os temas centrais discutidos ontem (4) durante o workshop sobre agricultura sustentável “Mato Grosso - Fatos e Mitos”, promovido pelo Sistema Famato com o apoio da Andef, Cearpa, Aprosoja e Crea-MT.

“Se existe um modelo de agropecuária sustentável, esse modelo é baseado na agricultura de Mato Grosso. Os defensivos agrícolas são como os remédios que devem ser usados na dose certa e com o acompanhamento de um médico, que na agropecuária é o engenheiro agrônomo”, comparou o diretor executivo do Sistema Famato, Seneri Paludo, lembrando que o Estado possui 38% de área produtiva e 62% de área preservada.

O superintendente do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), Otávio Celidonio, destacou que apesar de representar um volume importante nos custos de produção, a participação dos defensivos tem caído, principalmente em comparação ao valor das sementes. Segundo levantamento do Imea, a participação dos defensivos no custo total da produção agrícola do Estado reduziu de 20%, da safra 1998/1999, para 15% na safra 2010/2011, enquanto a participação das sementes no mesmo intervalo aumentou de 6% para 7%. Atualmente, Mato Grosso ocupa a 7ª colocação no ranking nacional do consumo de defensivos por quilômetro quadrado.

No Brasil, o uso de defensivos nas lavouras é crescente. Em 2010, o país adquiriu US$ 6,9 bilhões do insumo e a projeção esperada para este ano, segundo a empresa de consultoria alemã Kleffmann Group, é de que sejam consumidos US$ 7,2 bilhões. Conforme o gerente de mercado da empresa, Renato de Oliveira, parte deste crescimento projetado se deve à elevação de preço desses produtos e não necessariamente ao aumento do volume utilizado.
O diretor executivo da Associação Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Eduardo Daher, que proferiu a palestra “Brasil, um país bipolar? Competitividade Versus Entraves ao Agronegócio”, mostrou o contraste que existe entre a competitividade e os empecilhos da agropecuária brasileira.

Nas exportações do agronegócio, por exemplo, Daher informou que o Brasil negocia com 215 países e que há um bom tempo deixou de ser dependente dos Estados Unidos e do bloco europeu. Com a busca de novos mercados, as exportações cresceram de US$ 20,5 bilhões, em 1999, para US$ 64,8 bilhões, em 2009.

Apesar deste resultado, Daher salientou a deficiência do setor na estocagem de grãos dentro das propriedades nacionais, que possuem apenas 14% do total de armazéns próprios. Enquanto isso, os EUA contam 50%, a Argentina 40% e o Canadá com 85% do total de armazéns próprios instalados nas propriedades. Para o executivo, é preciso haver uniformidade para o país cumprir as metas estabelecidas pelo governo de auxiliar no combate à fome mundial. Até 2022, o objetivo é dobrar a produção, a produtividade e as exportações agropecuárias, além de triplicar os investimentos em pesquisas no campo.

“Tudo isso com a pressão na utilização dos defensivos agrícolas. Por isso, digo que o Brasil é um país bipolar. Vemos que há um contraponto no conceito de crescimento da economia nacional. Enquanto a agência que cuida da área sanitária do país critica nosso modelo de produção agrícola, ao mesmo tempo a presidente Dilma Rousseff está em Bruxelas firmando um acordo entre o Mercosul e a Comunidade Europeia para abastecer alimentos ao planeta. Ou todos nós colaboramos para o Brasil ser realmente o seleiro do mundo, ou optamos por uma agricultura domiciliar sem adoção de tecnologias”.

Diário de Cuiabá

Fonte: NOTICIAS AGRICOLAS | Piaui | Urucui

Qualidade da soja de MT é superior ao grão dos EUA

A qualidade da soja colhida em Mato Grosso é superior ao grão cultivado nos Estados Unidos, maior produtor da oleaginosa no mundo. Na composição do grão mato-grossense o índice de proteína varia de 39% a 42% e de óleo entre 17% a 22%. Já em campos americanos os níveis máximos da qualidade de soja é de 37% de proteína e 20% de óleo. “O máximo deles [Estados Unidos] é o mínimo nosso”, a avalia a coordenadora da pesquisa de classificação dos grãos, Maria Aparecida Braga Caneppele.

O projeto que demorou quatro anos para ser concluído é resultado de uma parceria entre a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) e a Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja-MT). Conforme a pesquisadora, a qualidade do grão mato-grossense é praticamente uniforme em todas as regiões do estado. Além disso, ela acrescenta que os índices são os responsáveis pela média positiva no desempenho nutricional da soja brasileira, que varia de 7% a 22% no caso do óleo e de 35% a 42% na proteína. “Conseguimos constatar que o grão da soja plantada em Mato Grosso é excelente e atende as exigências da indústrias”, complementa.

A coordenadora explica que os resultados positivos são influenciados pelas condições climáticas. Conforme a pesquisa, a temperatura ambiental interferiu no conteúdo de proteínas totais da semente de soja, as quais acumularam em maior quantidade diante de ambiente com temperatura em torno de 30 graus. “A cada 1º grau é acrescido 6,6 gramas de proteínas. Essa evolução ocorre até a temperatura atingir 30º C. E é justamente essa condição climática que predomina em todas as regiões de Mato Grosso. O que não ocorre em outros estados brasileiros”, explicou.

O estudo aponta ainda “que o recebimento de soja é um dos pontos mais críticos de sua comercialização, pois o produtor é penalizado quando os valores de umidade e avariados excedem os limites de tolerância, deixando assim de agregar valores ao produtor, por não adotar os tratos de pós colheita que ajustam esse produto aos padrões de qualidade”. Impurezas e umidades representam entre 80% a 85% do descontos no valor do produto para o agricultor. Para o presidente da Aprosoja-MT, Glauber Silveira, o próximo passo é espalhar a informação de que Mato Grosso produz a melhor soja do mundo. “É o que o mercado chinês exige e outros que poderão surgir”.

Por outro lado, ele questiona a melhoria no manejo dos grãos, que no descuido pode implicar para o aumento das perdas dos grãos causadas pelas pragas, percevejos entre outros problemas. O ataque de percevejos em lavouras de soja pode significar redução no tamanho dos grãos, tornando-os enrugados, chochos e de coloração mais escura que as normais, consequentemente, acarretam perda na produção. O presidente da Comissão de Gestão de Produção da Aprosoja, Naildo da Silva Lopes, destaca que as pesquisas norteiam o caminho em que o produtor precisa seguir, dando condições e mostrando onde pode ter melhoria. “O controle e a orientação é um processo contínuo”.Produção – Mato Grosso deve produzir 21 milhões de toneladas de soja na safra 2011/2012 em uma área de 6,6 milhões hectares. A estimativa é do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea).

G1 MT com Ascom Aprosoja

Fonte: NOTICIAS AGRICOLAS | Piaui | Urucui